Abuso de eletrônicos e a saúde da criança

22/05/2021
O abuso dos eletrônicos afeta o desenvolvimento cerebral das crianças.
O abuso dos eletrônicos afeta o desenvolvimento cerebral das crianças.

Voltamos a abordar esse assunto de extrema relevância e que preocupa pais e profissionais da saúde. Se o abuso de eletrônicos faz mal a saúde do adulto, cujo cérebro já está desenvolvido, imagina o que ele faz no cérebro em desenvolvimento.

O uso precoce de aparelhos eletrônicos traz prejuízos importantes para bebês, podendo resultar em atraso no desenvolvimento intelectual e da fala. Além disso, a proximidade dos olhos com a tela vem aumentando os casos de problemas visuais nas crianças.

Com as crianças mais velhas e adolescentes, observamos problemas de saúde mental, com sintomas de irritabilidade, ansiedade e depressão; alterações atencionais e de memória; transtornos do sono e da alimentação, desde sobrepeso/obesidade até quadros de anorexia/bulimia; sedentarismo e falta da prática de exercícios e finalmente, uma situação muito grave que é o cyberbullying.

A dependência digital é inclusive um diagnóstico e se caracteriza por uma inabilidade que o sujeito possui para reprimir e controlar impulsos pela conectividade, provocando desconforto e sentimento de culpa. Fique de olho e caso seu filho esteja apresentando sinais de dependência digital, procure ajuda profissional.

Portanto, na infância e adolescência, por mais difícil que possa parecer, as grandes orientações são:

  • Restrição do uso de eletroeletrônicos de acordo com a idade (vide post anterior);
  • Uso sempre com supervisão responsável;
  • Criar regras de segurança, senhas e filtros apropriados para toda família;
  • Incluir momentos de desconexão e mais convivência familiar;
  • Evitar encontros com desconhecidos online ou off-line;

Saber com quem e onde seu filho está, o que está jogando, os conteúdos de risco transmitidos (mensagens, vídeos ou webcam), é responsabilidade legal dos pais/cuidadores. Às vezes os pais podem parecer "chatos" por todos esses cuidados, mas a saúde de nossas crianças agradece.

Por Dra. Alessandra Russo

  • Médica Neuropediatra pela USP.
  • Mestre e Doutora pela USP.
  • Título de Especialista em Neuropediatria.
  • Pós-graduada em Psiquiatria infantil pela USP.
  • Membro da Sociedade Brasileira e Internacional de Neurologia Infantil.