Tríade da mulher atleta - o lado obsessivo do treinamento

03/04/2021
A tríade, embora seja mais comum na população atlética, pode também ocorrer em não atletas.
A tríade, embora seja mais comum na população atlética, pode também ocorrer em não atletas.

Com o aumento da participação feminina no esporte, a incidência de distúrbios específicos, mas não exclusiva, que ocorre nas mulheres chamada tríade da mulher atleta também aumentou. A tríade, embora seja mais comum na população atlética, pode também ocorrer em amadores e não atletas. Esta tríade foi descrita pela primeira vez na reunião do American College of Sports Medicine (ACSM) em 1993. Os componentes são: desordem alimentar, hormonal (amenorreia) e óssea (osteopenia/ osteoporose).
Nem todos as pacientes têm os três componentes da tríade. Dados mais recentes sugerem que mesmo tendo apenas um ou dois elementos a probabilidade de lesões aumenta consideravelmente. 

Muitas vezes é difícil de reconhecer a tríade da mulher numa atleta. Na verdade, o impacto total desta síndrome não pode ser mensurado até que estas mulheres atinjam a menopausa, quando a perda óssea é acelerada.

O Comitê Olímpico Internacional (COI) fez um consenso cujo principal objetivo era fornecer orientações específicas para auxiliares e médicos no tratamento dos atletas em situação de risco e/ou diagnosticados com a tríade da mulher atleta no tratamento. Além disso, o COI propôs a alteração do nome da tríade da mulher atleta para "deficiência relativa de energia no esporte" ou "Red-S"e incluem homens, que também podem ser afetados negativamente por um desequilíbrio na disponibilidade de energia. Eles acreditam que a mudança de nome poderia descrever com mais precisão a miríade de problemas de saúde pela diminuição de disponibilidade de energia, incluindo a "taxa metabólica, função menstrual, a saúde óssea, a imunidade, a síntese de proteínas, a saúde cardiovascular e psicológica".

Por ser multifatorial, a tríade pode ser de difícil diagnóstico.
Por ser multifatorial, a tríade pode ser de difícil diagnóstico.

O que fazer?

Educar os atletas pode levar à detecção precoce da tríade da mulher atleta. Se as mulheres sabem que a amenorreia não é um sinal positivo de treino duro, mas um prenúncio de doença, elas podem procurar o tratamento mais cedo. Claro, a tríade pode ter uma natureza secreta, e pelo tempo que um atleta mostra sinais de transtornos alimentares, a educação pode não ser suficiente para ajudar essas mulheres.

Se a população atlética geral e os prestadores de serviço em saúde estão cientes dos sinais e sintomas desta doença, a tríade da mulher atleta tem uma melhor chance de ser pega em seus estágios iniciais.
Os médicos precisam educar treinadores, pais, atletas e demais profissionais que terão contato diário com o atleta. Eles podem ser as pessoas que primeiro levantam preocupações sobre um indivíduo em particular. Tomando o tempo para falar com a equipe atlética sobre os sinais de alerta podem ajudar na prevenção da doença ou captura-la em seus estágios iniciais.

O foco principal deve ser corrigir a pedra angular da tríade da mulher atleta que é a diminuição da disponibilidade de energia, através de uma equipe multidisciplinar. Esta equipe pode incluir um médico, um nutricionista esportivo, um profissional de saúde mental, um preparador físico, fisiologista do exercício e consultores.

 Recomenda-se que um atleta aumente de 20% a 30% da ingestão calórica com uma meta de 0,5 kg de ganho de peso a cada 5-7 dias. A normalização do peso do corpo vai ajudar na normalização da menstruação e aumentar a saúde óssea e ajudar com o tratamento não farmacológico dos outros componentes da tríade da mulher atleta. Mas se for necessário o médico vai entrar com os suplementos e medicamentos para corrigir as alterações ósseas e hormonais.

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Por Dra. Ana Paula Simões.

👉 Mestre em ortopedia e traumatologia pela Santa Casa de São Paulo

👉 Especialista e delegada regional do Comitê de Traumatologia esportiva

👉 Médica assistente do grupo de traumatologia da Santa Casa de São Paulo e da Sociedade Brasileira de Futebol Feminino e membro da Sociedade Brasileira de Medicina Esportiva.