Quanto mais vitaminas, melhor!
- Dra Juliana da Silva Pereira

- 8 de set. de 2025
- 3 min de leitura

Você também já pensou: “Vitamina nunca faz mal, né? Quanto mais, melhor”? Pois é… não é bem assim.A reportagem do Fantástico mostrou casos de pacientes que foram parar no hospital com hipervitaminose — intoxicação causada pelo excesso de vitaminas. Algo que parecia inofensivo, virou risco sério à saúde.
O que acontece quando exageramos?
Nem sempre o corpo consegue eliminar tudo o que sobra. Vitaminas lipossolúveis, como A e D, se acumulam e podem causar desde alterações no fígado até problemas ósseos e neurológicos. Ou seja: suplemento não é bala e precisa ser usado com critério.Embora a suplementação seja frequentemente vista como prática inofensiva, a realidade científica mostra que a linha entre benefício e toxicidade pode ser tênue.
Para nós, médicos, esse tema exige uma análise cuidadosa, tanto do ponto de vista fisiológico quanto ético, já que a prescrição indiscriminada ou o incentivo ao consumo sem avaliação laboratorial adequada coloca em risco a segurança do paciente.
As vitaminas desempenham papéis fundamentais no metabolismo celular, imunidade, função neurológica e equilíbrio ósseo. No entanto, a capacidade de armazenamento das vitaminas lipossolúveis (A, D, E e K) aumenta o risco de acúmulo e toxicidade.
Vitamina A: em excesso, pode causar toxicidade ao fígado, alterações na pele e até hipertensão intracraniana benigna.
Vitamina D: a intoxicação pode induzir aumento de cálcio, nefrocalcinose, arritmias e dano renal agudo.
Vitamina E: em doses elevadas, está associada ao aumento do risco de hemorragias por efeito anticoagulante.
Vitamina K: embora mais rara, a intoxicação pode alterar parâmetros de coagulação.
Já as vitaminas hidrossolúveis têm maior margem de segurança devido à eliminação renal, mas o uso crônico em megadoses também pode gerar efeitos adversos — como neuropatias relacionadas à vitamina B6.
Por que estamos diante de um problema crescente?
Alguns fatores explicam a escalada de casos:
1. Cultura da medicalização preventiva
A ideia de que “vitaminas não fazem mal” é reforçada pela mídia e pela indústria de suplementos, resultando em uso indiscriminado sem critério clínico.
2. Influência das redes sociais
“Protocolos” de suplementação viralizam em plataformas digitais, muitas vezes sem respaldo científico, gerando automedicação e risco de interações medicamentosas.
3. Baixa percepção de risco
Ao contrário de medicamentos tradicionais, suplementos são vistos como “naturais”, o que diminui a vigilância crítica do paciente e até de alguns profissionais.
A reportagem também expôs uma ferida aberta: o risco de prescrição desnecessária por profissionais de saúde, muitas vezes motivados por pressão de mercado ou falta de atualização. Esse comportamento, aliado à automedicação, cria terreno fértil para complicações.
Aqui reside um ponto ético: prescrever suplementos não pode ser estratégia de “agradar” pacientes ou atender expectativas sem base científica. Nossa responsabilidade é avaliar necessidade real, considerar exames laboratoriais e sempre calcular risco-benefício.
Quais os benefícios ou risco de mostrar esse problema em rede nacional?
Pontos positivos
✅ Aumenta a conscientização sobre os riscos do consumo indiscriminado.
✅ Valoriza a medicina baseada em evidências, ao reforçar a necessidade de acompanhamento.
✅ Gera debate público sobre regulação e educação em saúde.
Pontos negativos
⚠️ Risco de generalização, levando pacientes a acreditar que toda suplementação é perigosa.
⚠️ Simplificação excessiva, já que a TV não detalha diferenças entre vitaminas e contextos clínicos.
⚠️ Possível insegurança em pacientes em tratamento, que podem suspender suplementos necessários sem orientação médica.
A ampla repercussão midiática de casos de hipervitaminose pode ser encarada como um chamado para resgatar a racionalidade na prescrição de suplementos. Em vez de temer o debate, devemos usá-lo para reforçar mensagens claras aos pacientes:
Nem toda suplementação é necessária.
Excesso pode ser tão perigoso quanto a deficiência.
A personalização é o único caminho seguro.
Enquanto a sociedade recebe um alerta importante, nós, médicos, temos a missão de transformar essa atenção em educação de qualidade, prevenindo tanto o uso abusivo quanto o abandono injustificado de terapias bem indicadas.

Juliana da Silva é médica (CRMSP 144.525) parceira e membro da diretoria científica do Movimento Médicos Atletas e atua como generalista com foco em nutrologia e medicina do estilo de vida.
É especialista em ajudar pessoas que buscam mais qualidade de vida, controle de suas doenças crônicas e longevidade através dos hábitos saudáveis.
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