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Quanto mais vitaminas, melhor!

Você também já pensou: “Vitamina nunca faz mal, né? Quanto mais, melhor”? Pois é… não é bem assim.A reportagem do Fantástico mostrou casos de pacientes que foram parar no hospital com hipervitaminose — intoxicação causada pelo excesso de vitaminas. Algo que parecia inofensivo, virou risco sério à saúde.


O que acontece quando exageramos?

Nem sempre o corpo consegue eliminar tudo o que sobra. Vitaminas lipossolúveis, como A e D, se acumulam e podem causar desde alterações no fígado até problemas ósseos e neurológicos. Ou seja: suplemento não é bala e precisa ser usado com critério.Embora a suplementação seja frequentemente vista como prática inofensiva, a realidade científica mostra que a linha entre benefício e toxicidade pode ser tênue.


Para nós, médicos, esse tema exige uma análise cuidadosa, tanto do ponto de vista fisiológico quanto ético, já que a prescrição indiscriminada ou o incentivo ao consumo sem avaliação laboratorial adequada coloca em risco a segurança do paciente.


As vitaminas desempenham papéis fundamentais no metabolismo celular, imunidade, função neurológica e equilíbrio ósseo. No entanto, a capacidade de armazenamento das vitaminas lipossolúveis (A, D, E e K) aumenta o risco de acúmulo e toxicidade.


Vitamina A: em excesso, pode causar toxicidade ao fígado, alterações na pele e até hipertensão intracraniana benigna.

Vitamina D: a intoxicação pode induzir aumento de cálcio, nefrocalcinose, arritmias e dano renal agudo.

Vitamina E: em doses elevadas, está associada ao aumento do risco de hemorragias por efeito anticoagulante.

Vitamina K: embora mais rara, a intoxicação pode alterar parâmetros de coagulação.


Já as vitaminas hidrossolúveis têm maior margem de segurança devido à eliminação renal, mas o uso crônico em megadoses também pode gerar efeitos adversos — como neuropatias relacionadas à vitamina B6.


Por que estamos diante de um problema crescente?


Alguns fatores explicam a escalada de casos:


1. Cultura da medicalização preventiva

A ideia de que “vitaminas não fazem mal” é reforçada pela mídia e pela indústria de suplementos, resultando em uso indiscriminado sem critério clínico.


2. Influência das redes sociais

“Protocolos” de suplementação viralizam em plataformas digitais, muitas vezes sem respaldo científico, gerando automedicação e risco de interações medicamentosas.


3. Baixa percepção de risco

Ao contrário de medicamentos tradicionais, suplementos são vistos como “naturais”, o que diminui a vigilância crítica do paciente e até de alguns profissionais.



A reportagem também expôs uma ferida aberta: o risco de prescrição desnecessária por profissionais de saúde, muitas vezes motivados por pressão de mercado ou falta de atualização. Esse comportamento, aliado à automedicação, cria terreno fértil para complicações.


Aqui reside um ponto ético: prescrever suplementos não pode ser estratégia de “agradar” pacientes ou atender expectativas sem base científica. Nossa responsabilidade é avaliar necessidade real, considerar exames laboratoriais e sempre calcular risco-benefício.



Quais os benefícios ou risco de mostrar esse problema em rede nacional?


Pontos positivos


✅ Aumenta a conscientização sobre os riscos do consumo indiscriminado.

✅ Valoriza a medicina baseada em evidências, ao reforçar a necessidade de acompanhamento.

✅ Gera debate público sobre regulação e educação em saúde.


Pontos negativos


⚠️ Risco de generalização, levando pacientes a acreditar que toda suplementação é perigosa.

⚠️ Simplificação excessiva, já que a TV não detalha diferenças entre vitaminas e contextos clínicos.

⚠️ Possível insegurança em pacientes em tratamento, que podem suspender suplementos necessários sem orientação médica.


A ampla repercussão midiática de casos de hipervitaminose pode ser encarada como um chamado para resgatar a racionalidade na prescrição de suplementos. Em vez de temer o debate, devemos usá-lo para reforçar mensagens claras aos pacientes:


Nem toda suplementação é necessária.

Excesso pode ser tão perigoso quanto a deficiência.

A personalização é o único caminho seguro.


Enquanto a sociedade recebe um alerta importante, nós, médicos, temos a missão de transformar essa atenção em educação de qualidade, prevenindo tanto o uso abusivo quanto o abandono injustificado de terapias bem indicadas.





Juliana da Silva é médica (CRMSP 144.525) parceira e membro da diretoria científica do Movimento Médicos Atletas e atua como generalista com foco em nutrologia e medicina do estilo de vida.


É especialista em ajudar pessoas que buscam mais qualidade de vida, controle de suas doenças crônicas e longevidade através dos hábitos saudáveis.


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