top of page

Atividade física na criança e no adolescente com TDAH: benefícios reais e indicações práticas

Vamos seguir com nossa série sobre atividade física na infância e seus benefícios nos transtornos do neurodesenvolvimento. E hoje é o dia de falarmos sobre transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH).


Quando falamos de TDAH, é comum que o foco recaia sobre técnicas de estudo, comportamentos desafiadores ou estratégias escolares. Mas existe um recurso poderoso, gratuito e cientificamente comprovado que muitas vezes não recebe a atenção que merece: a atividade física.


O movimento tem impacto direto nos circuitos cerebrais responsáveis por atenção, motivação, controle inibitório e autorregulação — exatamente os domínios mais desafiados no Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade.


E quanto mais cedo começamos, maior a chance de transformar o comportamento, o humor e o desempenho escolar.


Por que a atividade física ajuda tanto no TDAH?


O cérebro da criança com TDAH tem diferenças no funcionamento dos sistemas dopaminérgico e noradrenérgico, responsáveis pela motivação, foco e controle do comportamento. O exercício físico atua justamente nesses sistemas.


Durante e após a prática de atividade física, ocorre um aumento natural de:

  • dopamina → melhora o foco e a motivação

  • noradrenalina → aumenta alerta e capacidade de atenção

  • serotonina → regula humor e reduz impulsividade

  • BDNF (fator neurotrófico) → estimula neuroplasticidade e aprendizagem


Isso significa que, após se movimentar, a criança tende a:

✔ se concentrar melhor

✔ controlar melhor a impulsividade

✔ regular emoções com mais facilidade

✔ apresentar maior tolerância à frustração

✔ se engajar mais na aprendizagem


É como se o exercício ajudasse o cérebro a “entrar no eixo”.



Quais atividades físicas são mais indicadas para crianças e adolescentes com TDAH?


A boa notícia: não existe uma única modalidade ideal. O melhor exercício é aquele que a criança realmente gosta — porque aí ela mantém a rotina.

Mas existem categorias com benefícios específicos:


1. Esportes aeróbicos

Caminhada, corrida leve, bicicleta, natação, dança.

  • Aumentam dopamina e noradrenalina

  • Melhoram foco imediatamente após a prática

  • Reduzem hiperatividade motora


Excelente para começar.


2. Artes marciais

Judô, taekwondo, karatê, jiu-jitsu.

  • Trabalham disciplina

  • Exigem atenção plena no movimento

  • Ensina controle inibitório e autocontrole

  • Desenvolvem coordenação e equilíbrio


Muito indicados para impulsividade e desorganização.


3. Esportes coletivos

Futebol, basquete, handebol, vôlei.

  • Aperfeiçoam função executiva

  • Ensina turnos sociais, regras e cooperação

  • Trabalham tomada de decisão rápida


Úteis para habilidades sociais e leitura do ambiente.


4. Atividades estruturadas de concentração motora

Escalada, slackline, patinação, ginástica.

  • Exigem foco sustentado

  • Reforçam planejamento motor

  • Aumentam percepção corporal


Ideais para quem precisa trabalhar atenção plena.



Quanto tempo de atividade física é ideal?


As recomendações internacionais sugerem:

  • pelo menos 60 minutos/dia de atividade física moderada a vigorosa

  • podendo ser fracionada em blocos de 10 a 20 minutos


Para TDAH, pequenos blocos de movimento antes das tarefas escolares podem fazer grande diferença.


Estudos mostram que:

💡 20 minutos de exercício aeróbico já melhoram atenção e impulsividade de forma aguda.💡 Prática regular por 6 a 12 semanas melhora comportamento global, humor e desempenho escolar.


Mas e quando a criança tem muitas dificuldades comportamentais?


Algumas adaptações facilitam:

  • começar com atividades curtas e prazerosas

  • alternar movimento com tarefas mais cognitivas

  • usar reforçadores positivos

  • escolher atividades com regras claras e previsíveis

  • evitar ambientes muito caóticos no início

  • conversar com o treinador sobre as necessidades da criança


Crianças com TDAH respondem melhor a ambientes estruturados e com adultos sensíveis às suas particularidades.


Muito além do exercício: uma ferramenta de desenvolvimento


A atividade física não é apenas gasto de energia — é um instrumento neurobiológico que ajuda o cérebro a se organizar.


Ela apoia:

✔ memória de trabalho

✔ funções executivas

✔ organização corporal

✔ regulação emocional

✔ habilidades sociais

✔ autoestima


E, quando associada a outras intervenções, como terapia comportamental e acompanhamento médico, os resultados são ainda melhores.


A atividade física não é um “extra” no tratamento do TDAH — ela é um caminho potente para que a criança e o adolescente descubram novas formas de foco, equilíbrio, pertencimento e desenvolvimento.


Um abraço,

Alessandra



Dra Alessandra Freitas Russo é neurologista da infância e da adolescência com mestrado e doutorado pela USP. Atua na clínica Vivere, uma clínica de reabilitação infantil, onde é sócia fundadora.


É especialista em medicina do estilo de vida e acredita que a alegria e a gratidão são pilares de uma vida mais feliz.


@neuroevoce

@clinicadraalerusso






 
 
 

Comentários


bottom of page