Falta de Tempo: a desculpa universal.
- Dra Erika Vidal

- 21 de fev.
- 4 min de leitura
Será o que o problema é realmente a falta de tempo?
O dia tem 24 horas para todas as pessoas, por que com as mesmas 24 horas uns produzem muito e outros não produzem tanto e sempre reclamam que o tempo é o seu inimigo?!
A vida adulta nos impõe diversos compromissos, responsabilidades, que nos fazem ter que dar conta de tudo, equilibrar os pratinhos sem deixar nenhum cair no chão. O pratinho que vejo frequentemente cair no chão é o do autocuidado, do cuidado com a saúde, pela desculpa universal: NÂO TENHO TEMPO!
Nesse contexto, na minha prática clínica, vejo isso frequentemente, um ciclo vicioso que alimenta as doenças, sobretudo as doenças cardiovasculares:

A grande dificuldade é encontrar a saída desse labirinto. Começar a viver. Deixar de sobreviver. Sermos mais agentes e menos reagentes.
Para nos tornamos menos reféns do tempo, precisamos aprender a organizar nosso dia a dia, nossas tarefas, nossa vida.
A Matriz de Eisenhower nos ajuda a enxergar onde estamos gastando o nosso tempo:

Vamos entender onde estamos desperdiçando o nosso tempo.
Urgente e Importante: aqui vivem as crises, os plantões, os prazos inadiáveis, as emergências clínicas e pessoais. Esse quadrante faz parte da nossa rotina médica e sempre fará. O problema surge quando tudo vira urgência. Se vivemos constantemente nesse espaço, o corpo entra em modo de alerta contínuo: cortisol elevado, sono fragmentado, frequência cardíaca mais alta, exaustão emocional.
Importante, mas não urgente: esse é o quadrante do Movimento Médicos Atletas. É a área da prevenção, da saúde, da longevidade, do cultivo dos nossos relacionamentos, da nossa espiritualidade. Exercício, Alimentação, Sono de qualidade, planejamento semanal, autocuidado emocional e espiritual.
O grande paradoxo é que, por não serem urgentes, essas tarefas são as primeiras a seriem adiadas. Até o dia em que se tornam urgentes na forma de doença, burnout, lesão, separação.
Urgente, mas não importante: aqui estão os maiores ladrões de tempo da nossa rotina. Interrupções constantes, demandas que poderiam ser delegadas, mensagens, burocracias, reuniões pouco produtivas.
Temos a percepção de estarmos sempre ocupados, mas raramente isso gera saúde, propósito ou resultado.
Nem urgente nem importante: essas atividades daqui parecem descanso, mas muitas vezes são apenas fuga disfarçada. Excesso de telas, procrastinação, consumo passivo de conteúdo (tipo Netflix). Não é descanso. É anestesia.
Uma forma prática para obter mais clareza na hora de decidir melhor sobre as tarefas e a gestão de tempo, podemos utilizar o sistema de classificação das tarefas em Ouro, Prata e Bronze.
A pergunta a se fazer é a seguinte: O que, de fato, sustenta minha saúde, minha carreira e minha vida?

Tarefas Ouro: o que sustenta sua saúde e seu propósito
Na área profissional: São tarefas que não podem ser terceirizadas e que definem sua identidade profissional e sua longevidade:
Cuidar do próprio corpo (treino, sono, alimentação organizada)
Planejar a semana e a agenda
Atendimentos que exigem presença, escuta e tomada de decisão
Atualização profissional com sentido (não excesso de informação)
Na vida pessoal: São as tarefas que sustentam o humano por trás do jaleco:
Tempo com família e pessoas significativas
Pausas reais de recuperação
Autocuidado emocional
Momentos de silêncio e reflexão
Quando tarefas ouro não entram na agenda, o corpo cobra a conta.
Tarefas Prata: importantes, mas ajustáveis
Na área profissional:
Reuniões
Estudo técnico não prioritário
Organização administrativa
Respostas que não exigem decisão imediata
Na vida pessoal
Compromissos sociais neutros
Tarefas domésticas compartilháveis
Demandas que podem ser reagendadas
As Tarefas prata não devem ocupar o horário das tarefas ouro.Quando isso acontece, o autocuidado sempre perde espaço.
Tarefas Bronze
Na área profissional
Interrupções constantes
Demandas que poderiam ser delegadas
Responder tudo imediatamente
Na vida pessoal
Excesso de telas
Tarefas delegáveis: limpeza pesada, manutenção da casa, compras recorrentes
Compromissos por obrigação, não por escolha
O problema não é ter tarefas bronze. O problema é viver o dia inteiro nelas.
Como vocês perceberam, a ORGANIZAÇÃO é um pilar do estilo de vida, do MedAtleta. Não existe estilo de vida saudável sem organização. Não existe treino consistente sem horário definido. Não existe sono de qualidade sem rotina estruturada.
Nós, MedAtletas, não somos os que têm mais tempo, somos aqueles que decidiram fazer melhor uso do tempo que dispomos.
Para finalizar, três decisões estratégicas:
Agende sua saúde como tarefa ouro: se não está na agenda, não é prioridade.
Reduza as tarefas bronze para liberar o tempo para as tarefas ouro: delegar, automatizar e dizer “não” são estratégias para sua saúde.
Pare de esperar a semana ideal: rotina perfeita não existe. Existe rotina possível e organizada com consistência.
Vamos ser exemplo para os nossos pacientes: saúde é construída na prática diária, com organização e consistência!

Sou a Dra. Érika Vidal, Médica Atleta, Maratonista, Cardiologista com foco em prevenção, cardiologia do esporte e medicina do estilo de vida. Além da prática clínica, dedico minha trajetória a difundir conhecimento sobre saúde cardiovascular, atividade física, bem-estar mental e transformação de hábitos.
Acredito que o exemplo do médico saudável inspira e dá credibilidade, ajudando nossos pacientes a florescerem também. É por isso que inicio esta coluna quinzenal aqui no blog Médicos Atletas: um espaço para conversarmos sobre ciência, prática clínica e, sobretudo, sobre como cuidar de nós mesmos é o primeiro passo para cuidar melhor do outro.
Formações:
Cardiologista RQE 22575
Especialista em Ergometria e Reabilitação cardíaca RQE 40659
Pos graduações: Nutrologia, Medicina do Esposte, Psicologia Positiva
Formação em Medicina do Estilo de Vida pela MEV Brasil
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