O que você precisa saber sobre Lipedema?
- Dra Lilian Chehade

- 18 de set. de 2025
- 3 min de leitura

O lipedema (a “gordura dolorosa“) é uma doença crônica, progressiva e ainda subdiagnosticada, que afeta predominantemente mulheres e está relacionada a fatores hormonais e predisposição genética. Apesar de sua alta prevalência estimada (até 11% da população feminina em alguns estudos), o reconhecimento clínico ainda é limitado, o que contribui para atrasos no diagnóstico e tratamento.
Definição e Fisiopatologia
O lipedema caracteriza-se pelo acúmulo anormal, simétrico e desproporcional de tecido adiposo subcutâneo, principalmente em membros inferiores e, em alguns casos, nos braços.
Diferencia-se da obesidade por não responder significativamente a restrição calórica, e do linfedema por poupar pés e mãos (sinal de “bracelete”).
A fisiopatologia envolve alterações na microcirculação, inflamação crônica de baixo grau e uma condição de base genética ou com agravamento em fases de flutuação hormonal (puberdade, gestação, menopausa), mudança de estilo de vida, estresse associado a traumas ou cirurgias .

Quadro Clínico
• Aumento simétrico de volume em pernas e/ou braços, glúteos, parte inferior do abdômen, quadris ,coxas , parte superior do braço, poupando face, pescoço, tronco, mãos e pés.
• Dor, sensação de peso e hipersensibilidade ao toque.
• Hematomas frequentes por fragilidade capilar, frouxidão ligamentar
• Joelho valgo , alteração da marcha
• Nódulos visíveis e palpáveis

Estadiamento
A água extra celular é aumentada no tecido adiposo do Lipedema e diretamente proporcional aos estágios da doença .

O lipedema pode ser classificado em estágios clínicos (I a IV), baseados em alterações cutâneas e subcutâneas, variando desde pele lisa com aumento de tecido adiposo até deformidades importantes com lipomas e lipo-linfedema.
Também há classificações quanto à distribuição (pernas, braços, glúteos, abdomen).

Diagnóstico
O diagnóstico é essencialmente clínico, baseado na anamnese e exame físico.
Exames de imagem (ultrassonografia de partes moles, linfocintilografia, ressonância magnética) podem auxiliar na exclusão de diagnósticos diferenciais, mas não são obrigatórios.
É fundamental diferenciar lipedema de:
• Obesidade simples;
• Linfedema primário ou secundário;
• Insuficiência venosa crônica.
• Celulite

Abordagem Terapêutica
O tratamento deve ser multidisciplinar, com foco em controle de sintomas e prevenção da progressão:
Tratamento Conservador
• Educação do paciente sobre a natureza crônica e progressiva da doença.
. Controle de peso com dieta , exercício e tratamento farmacológico com drogas antiobesidade como tirzepatida, liraglutida , semaglutida, Contrave
• Fisioterapia complexa descongestiva, incluindo drenagem linfática manual e pressoterapia.
• Meias ou roupas de compressão, com modelos específicos para lipedema.
•. Exercício físico regular
preferencialmente de baixo impacto (natação, bicicleta, caminhada) , treinamento resistido ( pilates e musculação)
• Nutrição: embora dieta não elimine o tecido lipedêmico, estratégias alimentares anti-inflamatórias podem reduzir sintomas e peso associado. Dieta low carb , dieta do mediterrâneo são boas opções.
Apoio Psicoemocional
Tratamento Cirúrgico
• Lipoaspiração tumescente ou lipoaspiração assistida por água (WAL) são, até o momento, as únicas modalidades que removem efetivamente o tecido lipedêmico.
• Deve ser realizada por equipes com experiência, respeitando limites de segurança hemodinâmica e linfática.
• Resultados incluem melhora funcional, redução da dor e impacto positivo na qualidade de vida.

Considerações Finais
O lipedema deve ser reconhecido como doença distinta da obesidade (mas podem coexistir) e do linfedema. O diagnóstico precoce permite intervenções que reduzem morbidade e complicações a longo prazo.
Profissionais de saúde devem estar atentos às queixas típicas, validando a experiência da paciente e encaminhando para acompanhamento multiprofissional quando necessário (endocrinologista, nutricionista, fisioterapeuta, cirurgião vascular , psicologia ). Não existem medicamentosos específicos aprovados mas o uso de medicamentos deve ser indicado para tratar as comorbidades que podem estar associadas como obesidade , Hipotireoidismo, insuficiência venosa crônica .
Dra . Lilian Elias Chehade
Endocrinologista
CRM 13144 BA RQE 5561



Parabéns pela materia Dra. Lilian!!! 👏🏼👏🏼👏🏼