Remédios sem bula que não são prescritos pelos médicos
- Dra Erika Vidal

- 2 de jan.
- 3 min de leitura
A medicina que esquecemos de praticar
Em uma era de terapias cada vez mais sofisticadas, tecnologias avançadas e intervenções de ponta, muitas vezes nos afastamos de uma verdade simples: alguns dos remédios mais eficazes não estão nas prateleiras das farmácias estão no nosso cotidiano.
São intervenções com evidência robusta, baixo custo, praticamente sem efeitos colaterais e com impacto profundo na saúde a longo prazo. No entanto, por diferentes razões, desde a formação biomédica tradicional até a própria rotina médica, esses remédios continuam sendo pouco prescritos pelos próprios médicos.

A medicina de longevidade esquecida
No livro Outlive, Peter Attia diferencia dois modelos de atuação médica:
Medicina 2.0: centrada no tratamento de doenças já estabelecidas.
Medicina 3.0: focada na prevenção precoce, mudança de comportamento e intervenções que prolongam não apenas a vida, mas a saúde funcional.
Attia defende que, se quisermos realmente viver mais e melhor e oferecer isso aos nossos pacientes precisamos agir décadas antes da manifestação das doenças crônicas, com ferramentas que não vêm em caixas ou comprimidos.
👉 Ou seja, os “remédios sem bula” são a base da medicina da longevidade real.

Os 5 remédios sem bula mais poderosos
1. 🏃 Movimento regular
Reduz mortalidade por todas as causas em até 30%
Melhora pressão arterial, glicemia, perfil lipídico e função endotelial
Atua como modulador do humor e do sono
👉 Prescrever exercício com frequência, intensidade, tipo e tempo é tão importante quanto ajustar a dose de um fármaco.
2. 💤 Sono reparador
Dormir menos de 6 horas por noite aumenta risco cardiovascular em 20%
Privação crônica está ligada à resistência insulínica, hipertensão, arritmias e burnout
👉 Perguntar sobre sono é um ato clínico e orientar higiene do sono é uma intervenção com impacto profundo.
3. 🧠 Gerenciamento do estresse
Estresse crônico aumenta risco de infarto em 27% e de AVC em 32%
Técnicas simples de respiração, pausas curtas ou meditação reduzem cortisol em até 30%
👉 Médicos que vivem permanentemente em alerta esquecem que o sistema cardiovascular também tem limite.
4. 🥦 Alimentação protetora
Dietas baseadas em alimentos in natura reduzem risco cardiovascular em até 31%
Consumo elevado de ultraprocessados aumenta mortalidade geral em 62% (BMJ, 2023)
👉 “Coma comida de verdade, na quantidade certa” ainda é uma das prescrições mais potentes e negligenciadas.
5. 🤝 Conexões sociais e propósito
Pessoas com vínculos fortes têm 50% menos risco de morte precoce
A solidão tem impacto comparável a fumar 15 cigarros/dia (Holt-Lunstad, 2015)
👉 Perguntar sobre vínculos, rede de apoio e pertencimento também é medicina preventiva.

O peso da evidência
Peter Attia afirma que o verdadeiro ganho de expectativa e qualidade de vida não virá de um “remédio milagroso”, e sim da intervenção consistente nesses pilares ao longo das décadas.👉 Em termos práticos, os remédios sem bula têm nível de evidência comparável e em muitos casos superior a diversas intervenções farmacológicas, quando aplicados de forma contínua.

Três movimentos para recolocar esses remédios na prática médica
Inclua esses pilares na anamnese e no plano terapêutico
Perguntar sistematicamente sobre sono, movimento, alimentação, estresse e vínculos deve ser tão natural quanto aferir PA.
Prescreva com especificidade
Frequência, intensidade, tipo, tempo e acompanhamento como qualquer medicamento.
Modele pelo exemplo
Quando o médico vive esses comportamentos, a mensagem ganha força, credibilidade e efeito multiplicador.
Na busca por novas terapias e tecnologias, é fácil esquecer que os fundamentos da saúde já estão ao nosso alcance.Como Peter Attia ressalta, longevidade real é construída no presente, com hábitos consistentes, não quando a doença já se instalou.
“Os remédios mais poderosos são, muitas vezes, os mais simples. Mas exigem de nós consistência e coerência.”
📝 Guia prático – “Remédios sem bula” para prescrição clínica


Sou a Dra. Érika Vidal, Médica Atleta, Maratonista, Cardiologista com foco em prevenção, cardiologia do esporte e medicina do estilo de vida. Além da prática clínica, dedico minha trajetória a difundir conhecimento sobre saúde cardiovascular, atividade física, bem-estar mental e transformação de hábitos.
Acredito que o exemplo do médico saudável inspira e dá credibilidade, ajudando nossos pacientes a florescerem também. É por isso que inicio esta coluna quinzenal aqui no blog Médicos Atletas: um espaço para conversarmos sobre ciência, prática clínica e, sobretudo, sobre como cuidar de nós mesmos é o primeiro passo para cuidar melhor do outro.
Formações:
Cardiologista RQE 22575
Especialista em Ergometria e Reabilitação cardíaca RQE 40659
Pos graduações: Nutrologia, Medicina do Esposte, Psicologia Positiva
Formação em Medicina do Estilo de Vida pela MEV Brasil
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